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A ética e a gestão de riscos corporativos

Atitudes éticas são extremamente necessárias para prevenção de riscos ligados ao fator humano nas organizações, portanto é importante que as empresas atentem-se para este fator, implantando códigos e manuais que reflitam estes princípios e valores, visando a integridade corporativa.

Muito tem-se falado em ética nas organizações nos últimos anos, principalmente devido aos vários escândalos de corrupção envolvendo políticos e empresários brasileiros, tornando-se um fator de significativa importância para a integridade corporativa.

Vista como uma grande fonte de luz, a ética auxilia as empresas, iluminando decisões estratégicas no sentido de encontrar um melhor caminho que passe por práticas idôneas, transparência e retidão, criando valores justos e ponderados, o que reflete em uma sustentabilidade empresarial, alimentando a sociedade a sua volta com os frutos da confiança e justiça.

Segundo EGG (2012) “a ética (...) busca refletir sobre a existência humana e, assim, estabelecer o ideal de comportamento do homem em sociedade”.

A materialização de atitudes éticas nas empresas depende muito da alta administração que deve explicitar tal intenção na forma de declarações, tais como o código de ética e o código de conduta, que são documentos que vão delinear o caminho que os colaboradores devem adotar em seu dia a dia dentro e até fora das organizações.

Porém é importante que este código de ética reflita realmente os princípios, a missão, cultura e posicionamento social da empresa sem segundas intenções ou interesses próprios.

A única possibilidade de um programa [código de ética] ser bem-sucedido é através de um processo de gestão ética com a real intenção de construir uma organização ética, sem viés, interesses próprios ou segundas intenções. (LANZ e TOMEI, 2015)

Tais atitudes éticas seguem margeadas de outra atitude cada vez mais presente dentro das organizações, a gestão de riscos corporativos, que visa a identificação, análise, avaliação e tratamento de eventos que possam trazer impactos negativos à concretização dos objetivos empresariais e das possíveis oportunidades presentes no ambiente externo a estas organizações.

Chamamos aqui intencionalmente a gestão de riscos como uma atitude, pois assim como o código de ética, também depende do apoio incondicional da alta administração, explicitada através de uma política de gestão de riscos, devidamente alinhada com as questões estratégicas da organização, onde a empresa declara a sua intenção de monitorar e tratar eventos que possam trazer impactos á sua cadeia de valor.

Segundo MECÊDO et al.(2015): 
Ter consciência dos riscos, preveni-los e saber o que fazer minimiza os danos e, consequentemente, os custos com reparação, indenizações, desgaste da imagem da empresa e perda de seu valor.

A ética, através de seus códigos, tem um papel fundamental na gestão de riscos, pois fixa as normas internas mantendo uma linha única de comportamento entre os colaboradores, refletindo os valores morais e éticos da organização.

Tais normas, se seguidas e cumpridas, auxiliam na prevenção de riscos ligados ao desvio comportamental das pessoas, tais como fraudes e corrupção, riscos que impactam diretamente na imagem da organização perante seu público interno e externo. Este cenário demonstra o comprometimento da empresa com seus valores, aumentando sua competitividade e gerando um ambiente mais seguro.

Apenas para ilustrar, recentemente a empresa de investigação americana Kroll em parceria com a unidade de inteligência da revista inglesa Economist ouviu 901 executivos ao redor do mundo, onde apontou que 74% das empresas brasileiras sofreram pelo menos um episódio de fraude nos últimos 12 meses, sendo que algumas tiveram perdas que chegaram a 1,7% de suas receitas. (LEAL, 2017)

Este é um exemplo que reforça a importância do monitoramento dos riscos ligados a questões antiéticas que podem trazer impactos severos às organizações, sejam elas públicas ou privadas.

Neste contexto, é importante que as empresas tenham uma postura ética em todos os estágios de seus negócios e em toda estrutura organizacional, deixando isto muito bem estabelecido em um código de ética que servirá como base ao código ou manual de condutas, que por sua vez servirá como base para o monitoramento dos riscos ligados a estes fatores.

Tal atitude, desde que tomada de forma séria e comprometida, contribuirá decisivamente para a manutenção da integridade corporativa da organização, demonstrando sua intenção em contribuir para um ambiente mais seguro e ético além de um melhor relacionamento com seu público interno e externo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EGG, R.F.R. Ética nas Organizações. 1. ed. Curitiba: IESDE Brasil, 2012.

LEAL, A.L. Fraude atinge sete em 10 empresas no Brasil. Revista Exame, 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/blog/primeiro-lugar/fraude-atinge-sete-em-10-empresas-no-brasil/> Acesso em 02 de Dezembro de 2017.

MACÊDO, I.I. et al. Ética e Sustentabilidade. 1. ed. São Paulo: Editora FGV, 2015.

TOMEI, P.A.; LANZ, L.Q. Confiança nas Organizações. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: PUC-Rio, 2015.

Fonte: http://www.administradores.com.br