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O Blockchain como aliado contra fraudes e lavagem de dinheiro

 Imagem: Pixabay

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O Blockchain pode ser a resposta para os cada vez mais duros estatutos contra a lavagem de dinheiro (anti-money laundering/AML, em inglês) e exigências de gestão de fraude corporativa (enterprise fraud management/EFM, em inglês) que vem crescendo no mercado de serviços financeiros. 

Em um estudo publicado nesta semana, a Forrester Research aponta que a tecnologia de registros distribuídos do Blockchain – por conta do seu caráter seguro e imutável - é ideal para atender às novas exigências dos governos e funcionar como um repositório confiável para fins de identificação. 

“Isso o torna um repositório confiável para fornecer identificação de aparelhos, de fraudadores conhecidos, de transações e outras blacklists (listas negras) usadas em AML e EFM”, afirma a consultoria no relatório em questão. 

“Atualizar esses repositórios não será mais apenas o privilégio dos fornecedores de AML e EFM. Além desses fornecedores existentes, novos fornecedores de verificação de identidade social e moeda de identidade e as próprias instituições financeiras poderão atualizar listas negras essenciais.” 

Os governos também estão considerando usar redes de Blockchain para proteger dados sensíveis, mas nenhum deles ainda fez isso, conforme aponta a analista principal da Forrester e coautora do relatório, Martha Bennett. 

Em 2018, várias novas regulamentações irão endurecer as exigências dos serviços financeiros para garantir a privacidade do consumidor e proteger pagamentos on-line e mobile. As novas leis incluem o Revised Payment Service Directive(PSD2) e o General Data Protection Regulation (GDPR). Além disso, a Fifth European Union Anti-Money Laundering Directive (5AMLD), que ainda está sendo negociada, provavelmente vai aumentar a fiscalização de moedas virtuais, cartões pré-pagos, compartilhamento de informações e uma melhor diligência devida do consumidor.

A partir de maio, a regulamentação GDPR vai obrigar os bancos europeus a repensarem como armazenam, gerenciam, usam e disseminam informações identificáveis, aponta o relatório. 

“Se eles decidirem tomar parte no uso de EFM e AML baseados em Blockchain, whitelists e compartilhamentos de dados transacionais, as instituições financeiras precisam adaptar suas políticas e ferramentas de privacidade para poder lidar com essas exigências”, afirma a Forrester no documento. 

A empresa de pesquisas prevê que as regulamentações e revelações de privacidade também terão de cobrir assets de dados armazenados em Blockchain. 

“A GDPR é uma exigência chave para lidar com dados (informações pessoais identificáveis) de forma segura”, destaca o analista principal da Forrester e coautor do relatório, Andras Cser. “A padronização de algoritmos de criptografia e testes de força (FIPS, etc) também são passos críticos aqui.” 

Fraude e lavagem de dinheiro custam bilhões

No ano passado, o custo das fraudes no varejo – que inclui tudo desde transações fraudulentas até devoluções fraudulentas – representou 1,9% da receita do segmento nos EUA, um aumento em relação ao 1,47% registrado em 2016. Como a estimativa da Forrester aponta que as vendas de varejo movimentaram 3,56 trilhões de dólares nos EUA em 2017, essas fraudes então custaram quase 68 bilhões de dólares aos comerciantes locais. Além disso, o custo para detectar e evitar a lavagem de dinheiro é alto, assim como as multas para as empresas que não fazem isso.

Em 2018, por exemplo, o Dutch Rabobank foi multado em 369 milhões de dólares pelas autoridades por gerenciar fundos ilícitos. E, no ano passado, um vazamento de dados na agência de crédito Equifax resultou em 143 milhões de registros sendo roubados.

A ampla disponibilidade de dados sensíveis dos consumidores na chamada darknet e a fraude sintética de identidade – em que os criminosos usam dados roubados combinados com informações falsas para abrir contas e emitir cartões de crédito – provaram que a verificação tradicional do tipo “conheça seu consumidor” ("know your customer") e a autenticação baseada em conhecimento não é confiável. 

As práticas de AML (contra a lavagem de dinheiro) e EFM (contra fraudes corporativas) são cada vez mais difíceis de serem aplicadas e precisam se basear nas informações mais diversas possíveis, segundo a Forrester, que ainda afirma que “verificar identidades antes de permitir que realizem transações ajuda a evitar perdas com fraudes em um ecossistema complexo de pagamentos”.

É aí que o Blockchain pode ser útil.

Como é registro eletrônico imutável e auditável, o Blockchain garante que os registros das transações possuem artefatos e identificadores das transações anteriores. “Isso permite que investigadores autorizados possam rastrear transações no Blockchain mais facilmente do que com os sistemas atuais de AML e EFM”, segundo a Forrester. 

As implementações de Blockchain vão desafiar o monopólios dos verificadores de identidade – agências de crédito como Equifax, Experian, RELX e TransUnion, assim como fornecedores de watch list como a Dow Jones e a World-Check – ao fornecer dados auditáveis contra a lavagem de dinheiro. 

Segundo Cser, no entanto, as implementações com Blockchain para sistemas de AML e EFM ainda devem levar de um a dois anos para acontecerem na América do Norte – e entre dois e três anos em outros lugares do mundo.

Inicialmente, as redes corporativas de Blockchain provavelmente existirão ao lado das ferramentas mais tradicionais de AML e EFM – “pelo menos inicialmente”, de acordo com Cser. “O maior problema é criar o framework legal, regulatório e de privacidade para a adoção do Blockchain em EFM e AML”, aponta o analista.

A Forrester espera que fornecedores de dados (novos e existentes), assim como os bancos e instituições financeiras, poderão contribuir com blacklists/whitelists distribuídas e controladas e repositórios de transações com privacidade controlada em Blockchain.

E, como o Blockchain é construído usando software open-source como Ethereum, MultiChain e OpenChain, é menos caro do que adquirir uma plataforma – enquanto que todos podem visualizar, auditar e corrigir falhas de segurança em implementações de Blockchain.

As exigências para a administração de fraudes corporativas e contra a lavagem de dinheiro são parecidas no sentido de que “são todas sobre buscar padrões, identificar agentes maliciosos conhecidos, e realizar investigações”. 

“A principal diferença é que, enquanto o AML (lavagem de dinheiro) tradicionalmente tem sido reativo e baseado em lotes, o EFM (fraudes corporativas)  tornou-se muito mais proativo nos últimos cinco anos”, destaca a Forrester no relatório. “Usar dados em tempo real no EFM agora é um padrão e uma exigência crítica. O EFM usará o Blockchain em autenticações baseadas em risco e na detecção da tomada de controle de contas, assim como no monitoramento de transações de ponta a ponta.”

 

Fonte: http://idgnow.com.br/ti-corporativa/2018/03/26/o-blockchain-como-aliado-contra-fraudes-e-lavagem-de-dinheiro/