Gestores analisando a não execução de planos de ação da Auditoria Interna

5 razões mais comuns para a não execução de planos de ação da Auditoria Interna

Um dos maiores desafios enfrentados pelas organizações após a realização de trabalhos de Auditoria Interna não está na identificação dos riscos ou das fragilidades de controle, mas sim na execução efetiva dos planos de ação definidos para endereçá-los.

Na prática, é recorrente que recomendações de auditoria sejam formalmente aceitas pela gestão, mas não implementadas de forma adequada, tempestiva ou sustentável. Esse cenário compromete diretamente a efetividade da Auditoria Interna, fragiliza a governança corporativa e mantém a organização exposta a riscos já conhecidos.

Com base em experiências recorrentes em projetos de auditoria, apresentamos a seguir cinco razões estruturais e comportamentais que explicam por que tantos planos de ação, especialmente aqueles originados de apontamentos de Auditoria Interna, não chegam à sua conclusão.

O desafio da execução após a Auditoria Interna

A Auditoria Interna tem como missão avaliar a eficácia dos controles internos, processos de gestão de riscos e governança, emitindo recomendações que contribuam para a melhoria contínua da organização. No entanto, o valor gerado pela auditoria só se materializa quando as ações corretivas são efetivamente implementadas.

A falha na execução de planos de ação não é, portanto, um problema operacional isolado, mas um sintoma de maturidade insuficiente em governança, accountability e disciplina de execução.

1. Definição inadequada de objetivos e escopo do plano de ação

Um dos fatores mais recorrentes de insucesso está na formulação inadequada dos objetivos do plano de ação. Quando a origem do plano é um apontamento de auditoria, existe uma tendência natural de concentrar esforços apenas na descrição do problema identificado e nos riscos associados, sem traduzir esse diagnóstico em objetivos claros, mensuráveis e orientados à melhoria do processo.

Planos de ação com escopo mal definido, objetivos genéricos ou excessivamente amplos tendem a perder relevância ao longo do tempo, reduzindo o engajamento das equipes responsáveis e dificultando o monitoramento por parte da Auditoria Interna e da alta administração.

2. Falhas na atribuição de responsabilidades e accountability

Em estruturas organizacionais mais complexas, especialmente em empresas de médio e grande porte, é comum que planos de ação envolvam múltiplas áreas, gestores e níveis hierárquicos.

Quando não há uma definição clara de responsáveis diretos por cada ação, etapa ou deliverable, cria-se um ambiente propício à diluição de responsabilidades. Nesses casos, atividades críticas acabam sendo postergadas ou simplesmente não executadas, sob a suposição de que outro responsável irá conduzi-las.

A ausência de accountability é um dos principais fatores que enfraquecem a execução e comprometem a credibilidade do processo de Auditoria Interna.

3. Monitoramento ineficaz de prazos e andamento das ações

Outro problema recorrente está na forma como os planos de ação são acompanhados. Em muitas organizações, as ações são definidas em reuniões formais, registradas em atas ou relatórios, mas o acompanhamento ocorre apenas de forma esporádica, geralmente na reunião seguinte ou em ciclos longos de reporte.

Sem mecanismos estruturados de monitoramento contínuo — como indicadores de progresso, alertas de prazo e follow-ups formais —, os prazos tendem a ser renegociados sucessivamente, resultando em atrasos crônicos ou na perda completa do compromisso com a execução.

Para a Auditoria Interna, a ausência de um processo robusto de follow-up compromete a capacidade de avaliar a efetividade das recomendações emitidas.

4. Planejamento inadequado de recursos necessários

A estruturação do plano de ação é uma etapa frequentemente subestimada. Muitos planos falham porque não consideram, de forma realista, os recursos necessários para sua execução, tais como:

  • Pessoas qualificadas
  • Tempo dedicado das equipes
  • Orçamento disponível
  • Sistemas e ferramentas de apoio

Quando esses recursos não são adequadamente planejados e aprovados, o plano de ação tende a ser interrompido ou executado parcialmente, mantendo os riscos originais sem tratamento adequado.

Do ponto de vista da Auditoria Interna, a ausência de planejamento de recursos indica falhas na avaliação de viabilidade das ações propostas.

5. Ausência de visão estratégica e revisões periódicas

Planos de ação derivados de auditorias frequentemente possuem prazos de médio e longo prazo, especialmente quando envolvem mudanças estruturais em processos, sistemas ou modelos de governança.

Ao longo do tempo, é comum que a gestão passe a focar excessivamente nas atividades táticas e operacionais, perdendo a visão estratégica do objetivo final do plano de ação. Sem revisões periódicas e uma visão consolidada do progresso, o projeto pode até avançar, mas sem garantir que está endereçando adequadamente o risco identificado originalmente.

A Auditoria Interna deve atuar como agente facilitador dessa visão, assegurando que o plano de ação permaneça alinhado ao risco, ao objetivo estratégico e às expectativas da alta administração.

A importância da estruturação e do follow-up pela Auditoria Interna

A estruturação adequada dos planos de ação é o alicerce para o sucesso de qualquer iniciativa corretiva. Ela permite definir, de forma objetiva:

  • Objetivos claros e mensuráveis
  • Escopo bem delimitado
  • Responsáveis diretos
  • Prazos realistas
  • Recursos necessários
  • Indicadores de acompanhamento

Adicionalmente, o uso de ferramentas apropriadas de registro, monitoramento e follow-up fortalece significativamente a atuação da Auditoria Interna, proporcionando maior transparência, rastreabilidade e efetividade no tratamento dos riscos.

Considerações finais

A não execução de planos de ação não deve ser encarada como um problema isolado de gestão, mas como um alerta sobre a maturidade dos processos de governança, gestão de riscos e controles internos da organização. Empresas que fortalecem a estruturação, o acompanhamento e a responsabilização dos planos de ação extraem valor real da Auditoria Interna, transformando recomendações em melhorias concretas, redução de riscos e maior segurança para a tomada de decisão.

Explore os diferenciais da Auditoria Interna Premiumbravo e saiba como podemos ajudar a sua empresa. clique aqui .